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Life of a Wonderer

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LIVROS: The Bad Beginning (A Series of Unfortunate Events)

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Esta série de livros faz parte da minha lista de livros para ler há anos, no entanto, e conforme algo que parece ter vindo a tornar-se uma regra na minha vida, só depois de ver a série é que fiquei realmente com vontade de os ler. Mais particularmente, depois da segunda temporada, que me conquistou de uma forma que não esperava que conquistasse, de todo. Fiquei tão apaixonada que sabia que tinha que começar a ler os livros, e assim o fiz.

 

A Series of Unfortunate Events (ou em português, Uma Série de Desgraças) é uma série de 13 livros escrita por Lemony Snicket (pseudónimo de Daniel Handler). Toda esta série retrata a série de desgraças e azares pelos quais os Baudelaire – três crianças recentemente orfãs – têm que passar, sendo que cada livro corresponde a cada capítulo diferente das suas vidas, ou seja, a cada azar. Em todos eles, há uma personagem recorrente (Conde Olaf) que é responsável por todas as desgraças que enfrentam e que age com determinados interesses por trás. A julgar pela série de televisão, todos estes azares começam a ser frustrantes pelo quão ignorantes as personagens conseguem ser. Suponho que nos livros não fique muito atrás.

 

The Bad Beginning (Mau Começo) é o primeiro dos treze livros e introduz-nos a morte dos pais dos Baudelaire, que é o que despoleta toda a série de situações azarentas que enfrentam dali em diante. Esta série é para crianças, mas acredito que sejam daqueles livros que podem agradar também a adolescentes e adultos.

 

É uma escrita muito simples e fácil de entender, mas ao mesmo tempo muito cativante. Em determinadas partes, o autor explica o significado de certas palavras ou expressões, não necessariamente como um género de um dicionário, mas sim fazendo a pessoa entender o que aquilo significa na prática e no contexto da história. Além disso, também explica o significado de determinados conceitos (por exemplo, tristeza), por isso acho que é um livro mesmo perfeito para crianças. Contudo, como disse, é daqueles livros que agradam a todas as idades, porque não é de todo infantil. O autor consegue mesmo envolver-nos na história, não só através da escrita, mas até porque muitas vezes se dirige ao próprio leitor. A partir de determinada altura, deixamos de sentir que estamos a ler um livro e passamos a sentir que estamos à beira de uma lareira a escutar activamente o Lemony Snicket contar a história de três crianças orfãs, de chocolate quente na mão.

 

Em termos do próprio conteúdo da história, tendo em conta que gostei muito mais da segunda temporada da série de televisão (e de episódios em particular da mesma), creio que haverão outros livros na série que me farão vibrar mais do que este fez. Ainda assim, cativou-me pela sua forma e pela escrita, e fez-me sentir um carinho especial por uma personagem por quem não senti o mesmo carinho em televisão: a Justice Strauss.

 

Em suma, é um livro muito bem escrito que nos conquista desde logo, não importa qual seja a nossa idade. Além de uma coisa que não falei aqui: as breves dedicações do Lemony Snicket à Beatrice no início dos livros. Se vocês usam ou já usaram regularmente o tumblr, certamente vão saber do que falo, mesmo se não conhecerem os livros. E se não souberem, procurem no google! São tão bonitas e tristes ao mesmo tempo.

 

 

Enfim, finalmente um post sobre um livro! Não consigo ler praticamente nada durante as aulas, mas agora que estou de férias espero poder trazer-vos mais publicações sobre livros que vou lendo. É sempre bom poder ter finalmente tempo para ler!

 

Classificação: ★★★★☆

Estudar Psicologia #2: Como é o curso em si?

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Confesso que esta parte é a mais difícil de escrever, porque não é "universal" a todo o país, sendo que cada universidade tem o seu curso, com as suas cadeiras, as suas estruturas e o seu modo de funcionamento.

 

Uma coisa que acredito que seja comum a todos os cursos de Psicologia no país é o facto de ser um curso com uma grande carga de trabalho. Cada curso universitário é trabalhoso à sua maneira, e a maneira da Psicologia é: artigos, artigos, artigos, artigos, artigos. A quantidade de coisas que temos que ler – seja para frequências, para trabalhos de grupo, para trabalhos nas aulas – é enorme. Sejam artigos científicos, teses, livros, o curso de Psicologia é incrivelmente teórico e só conseguimos imaginar na nossa mente aquele típico monte de folhas a aumentar, a aumentar, a aumentar.

 

Tenho que dar ênfase ao "incrivelmente teórico", sendo que em qualquer licenciatura do país não é permitido exercermos práticas – o que acaba por ser legítimo e normal, uma vez que estamos apenas ainda a aprender as bases gerais da Psicologia. Se noutros cursos podem estagiar no final do terceiro ano, em Psicologia precisamos de caminhar um pouco mais para lá chegarmos. No entanto, há outros tipos de práticas que se podem fazer, como observação ou investigação. Tenho que ser sincera e dizer que a minha universidade não é das melhores no que diz respeito ao curso de Psicologia, porque é um curso excessivamente teórico. Existem universidades, por outro lado, que têm um curso ligeiramente mais prático, com análise de casos, laboratórios, etc. (por exemplo, Universidade de Évora).

 

Outro aspecto importante é que em Psicologia, podem esperar aprender de tudo. E quando digo de tudo, é mesmo de tudo. Quando pensamos em Psicologia, pensamos em mente – em cognições, emoções. No entanto, a Psicologia envolve tanto mente como corpo, e isso abrange todo um número de outras áreas: biologia, neurobioquímica, física, neuroanatomia. Além de estatística, devido à componente de investigação. Por isso, podem esperar estudar coisas como a rede neuronal (sinapses, potenciais, entre tantas outras coisas complicadas para quem vem de Humanidades – trust me, I know!), ritmos circadianos ou mesmo coisas que parece que não têm nada a ver, como o sistema digestivo. Claro que, uma vez mais, as coisas específicas que vão aprender dependem dos cursos em si e dos planos de estudo. Mas, de um modo geral, não vão realmente escapar às áreas principais que referi acima, uma vez que são todas essenciais à nossa compreensão e aprendizagem.

 

Creio que estes são os principais pontos que acho que devia referir mas, mais uma vez, se tiverem questões podem colocá-las nos comentários abaixo e eu vou tentar responder às vossas dúvidas o melhor que conseguir! No terceiro post desta série, vou dar-vos a minha opinião sobre estudar-se Psicologia, abrangendo vários aspectos que abordei neste e no primeiro post (sobre a legislação e regulamentos da OPP, que podem ver aqui).

FILMES: Fantastic Beasts and Where to Find Them

 

Tal como muitas pessoas da minha geração, cresci com o mundo do Harry Potter. Os miúdos mais fixes eram aqueles que tinham cachecóis de Gryffindor, ou os que se vestiam de feiticeiros para o Carnaval. Ainda me lembro de receber como presente da minha professora de Inglês – muito amiga da minha mãe – o livro do Harry Potter e a Pedra Filosofal.

 

Contudo, tenho que confessar que foi uma saga que me marcou muito mais na infância e que, à medida que cresci, foi sendo um pouco posta de parte. Assim sendo, não posso dizer que sou a maior fã, e a prova disso é que só agora vi o Fantastic Beasts – dois anos depois. Sim, não tem nada a ver com Harry Potter, mas ao mesmo tempo tem tudo a ver, porque é exactamente o mesmo mundo em que crescemos.

 

E o que dizer deste filme? Foi uma coisa tão bonita e tão desvastadora ao mesmo tempo. Por um lado, mostra-nos a beleza de criaturas que só mesmo alguém como a J.K. Rowling podia imaginar. E por outro, temos os Obscurus – algo que me marcou muito no filme, devo dizer, porque é algo tão real, uma força poderosa nascida da dor e do sofrimento.

 

Acho que o Eddie Redmayne foi a escolha perfeita para o Newt, não consigo imaginar mais ninguém a fazer aquela personagem. Por outro lado, fiquei desiludida por ter visto o Johnny Depp, porque já não me lembrava que ele entrava no filme e que houve todo um escândalo em volta disso. Para mim, não há essa coisa de separar a arte do artista, por isso não foi propriamente agradável ver que ele também fazia parte do elenco.

 

Em todo o caso, foi um filme que mais uma vez me fez questionar porque demoro sempre tanto tempo para ver estas coisas! Gostava de ver o segundo no cinema, uma vez que daqui a uns meses está a sair, mas dou-vos autorização para me darem um sermão se não for, porque não me admira assim tanto se acabar por ver o segundo filme daqui a mais dois anos. É aquele ditado, não é?

 

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Estudar Psicologia #1: Regulamentos, OPP, etc.

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Hoje venho partilhar com vocês um assunto do qual quero muito falar. Decidi criar esta pequena série de posts porque não tarda muito a que comecem as candidaturas de acesso ao ensino superior e, uma vez que estou prestes a terminar a minha Licenciatura em Psicologia, acho que já tenho experiência suficiente para partilhar com quem esteja interessado. Decidi dividir toda esta temática em três posts: o primeiro - de hoje - sobre toda a parte mais regulamentar/legislativa/burocrática/o que lhe quiserem chamar do curso; o segundo post sobre a parte académica, em termos de cadeiras, carga de trabalho, etc., pelo menos na minha universidade; e a última parte com a minha opinião pessoal sobre o curso e toda a experiência de ser estudante de Psicologia.

 

Decidi começar por esta parte mais burocrática porque vou falar de muitas coisas que acho importante saberem antes de se meterem neste curso, e que, quando o comecei, reparei que nem eu nem muitos colegas meus sabiam. São coisas que fazem toda a diferença, pois posso dizer que tenho colegas, e até eu mesma, que talvez tivessem mudado de ideias se soubessem aquilo que sabem hoje. O meu objectivo não é fazer ninguém mudar de ideias, mas sim fazer-vos repensar se é isto que realmente querem e se estão dispostos a lutar pela área, pois não é nada fácil. Aviso já que além de longo, vai ser um post chato, porque fala de muita coisa aborrecida que faz parte dos regulamentos da Ordem e afins, mas que é realmente importante que saibam se querem seguir esta área. Então, vamos começar!

 

Primeiro que tudo, precisam de saber que isto é uma área com um investimento mínimo e obrigatório de 6 anos. Digo mínimo pois podem querer especializar-se ou fazer doutoramento ou pós-graduações, o que vai logo acrescer mais anos a esse tempo de investimento. Esses 6 anos são compostos por 3 anos de Licenciatura + 2 anos de Mestrado + 1 ano de estágio da Ordem.

 

Saibam que, mesmo que o Mestrado não seja integrado (como é o caso da minha universidade), é obrigatório. Com a Licenciatura não vão conseguir cédula profissional e não vão conseguir mais nada do que apenas ensinar Psicologia. A parte marota disto tudo é que no fim do Mestrado também não estão aptos ainda à cédula, pois vão precisar de fazer o estágio da OPP, também ele obrigatório, e só aí vos dão cédula profissional.

 

A Licenciatura nada mais é do que três anos de bases teóricas e gerais da Psicologia, sendo que é no Mestrado que vão escolher a área que realmente querem. As três grandes e principais áreas da Psicologia são Psicologia da Educação, Psicologia Clínica e da Saúde, e Psicologia das Organizações. É no Mestrado que vão escolher uma destas áreas, e só depois disso se podem especializar noutras (e.g. Neuropsicologia, Psicologia do Desporto, Psicologia Comunitária, Coaching, entre outras; podem ver todas aqui).

 

Não se metam em Licenciaturas já das áreas de especialidade avançadas achando que é um caminho mais curto e mais fácil, tive pessoas no curso que tiveram que fazer cadeiras "nossas" porque a Ordem não lhes deu cédula com a Licenciatura que tiraram desse género. O mesmo se passa com Mestrados específicos (por exemplo, Mestrado em Psicologia Comunitária). A OPP só aceita aquelas três áreas principais, única e obrigatoriamente. Como disse, só depois disso se podem especializar na área que querem. (Agora não me perguntem porque é que existem então Licenciaturas e Mestrados específicos... Não faço ideia, não faz sentido nenhum!).

 

No Mestrado, partindo do princípio que é semelhante em todas as universidades, terão a tese e o estágio no 2º ano. Depois disso, como referi, têm que fazer o estágio profissional da Ordem, que é remunerado. Para além do estágio profissional, vão ter que fazer um pequeno curso de formação, também da Ordem, com sessões online e presenciais (eles vão fazendo várias sessões em várias cidades do país, basta irem vendo na página do Facebook).

 

O que vos aconselho e, se pudesse voltar atrás, aconselharia a mim mesma e aos meus colegas, é fazerem uma grande exploração pelo site da Ordem. Vão conseguir toda e mais alguma informação sobre o que é necessário para se ser psicólogo, além de muitas outras informações que vos serão úteis depois da universidade/para exercer.

 

Esta é mesmo a informação mais básica que todos deveriam saber. E um aparte: preparem-se para pagar muito dinheirinho no estágio profissional (mais uma vez, visitem o site e dêem uma grande e vasta olhadela por lá!). É um curso que exige muito tempo de investimento, além de ter uma carga de trabalho imensa (falarei disso no próximo post), e não é para qualquer um. Mais uma vez, não pretendo fazer ninguém mudar de ideias, mas sim fazer-vos pensar melhor, e sobretudo ajudar-vos e alertar-vos para coisas que eu própria gostava de ter tido conhecimento na altura.

 

Qualquer dúvida que alguém possa ter, é só deixar nos comentários! Não prometo que saiba ou possa responder a tudo, mas posso tentar ajudar da maneira que souber. Até ao próximo post!

 

Imagem: Fonte desconhecida

Sobre mim


25 anos, mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde. Apaixonada por Lisboa e por gatos. Introspectiva por natureza e com muitos pensamentos para partilhar!

📖 A ler: The Night Circus (Erin Morgenstern) // Harry Potter and the Order of the Phoenix (J.K. Rowling) // A New Earth: Awakening to Your Life's Purpose (Eckhart Tolle)

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