Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Life of a Wonderer

Life of a Wonderer

A importância da saúde mental

12_mental_2.jpg

 

Há uns anos atrás, quando disse a uma rapariga que eu era estudante de Psicologia, ela respondeu-me que acreditava que um dia ainda iam todos precisar muito de nós (psicólogos). Por um lado, concordo plenamente com ela. Por outro, será que é assim mesmo? A sociedade pensa que não precisa de nós, e não vejo isso a mudar tão cedo.

 

Sim, há mais informação a circular, e ainda bem! Embora não ache que seja ainda suficiente, é, sem dúvida alguma, mais do que aquela que costumávamos ter há anos atrás. Já cheguei a achar que o problema era falta de informação. No entanto, numa sociedade cada vez mais informada, acho que o problema passa mais pelo que as pessoas escolhem fazer com a informação que têm. E nesse aspecto, a saúde mental ainda é muito desprezada pela sociedade.

 

Acredito que as doenças mentais, por serem doenças invisíveis, sejam mais difíceis de compreender. Isso não significa que se deva mostrar uma completa falta de empatia por quem sofre delas e achar que são coisas levianas que só não passam porque a pessoa não quer. Este é sempre um assunto do qual gosto e sinto necessidade de falar, mas este post em particular foi proporcionado por um belo e típico comentário que vi numa notícia sobre o suicídio do Avicii, onde o sujeito dizia que era ridículo ele ter-se suicidado no auge da sua carreira e tendo tanto dinheiro. Como estes há muitos, e eu comecei a evitá-los ao máximo, mas naquele dia em particular cometi o erro de ir ler esse tipo de coisas ignorantes.

 

Meus caros... eu costumo dizer que, se a depressão passasse com sorrir mais vezes, se a ansiedade acabasse com a prática de yoga, então estas condições e tantas outras não seriam chamadas de "doenças". Se fosse assim tão fácil e tão simples, nem sequer haveria margem para se tornarem doenças! Não é preciso pensar muito para se chegar a essa conclusão, pelo menos.

 

As doenças mentais são causadas por uma variedade de factores: genéticos, neurobioquímicos, ambiente (social, familiar, escolar), aprendizagens, e por aí fora, isto colocando as coisas de forma bem geral e ampliada. Dizer a uma pessoa com ansiedade para tentar acalmar-se é o mesmo que atirar alguém de um penhasco e comunicar-lhe a mesma coisa. Nessa situação, a pessoa está com uma carga de adrenalina de todo o tamanho porque não quer morrer e está com medo, mas olhe, por favor, tente acalmar-se. Vai ver que passa. Ok, eu vou tentar parar com o sarcasmo - desculpem, mas nestes assuntos é-me sempre difícil, há coisas que me tiram do sério! -, mas percebem a ideia, certo? Se o corpo de uma pessoa ansiosa lhe está a comunicar que está com medo, seja lá do que for e mesmo que não exista perigo real nenhum, é um bocado difícil a pessoa comandar "olha, a dose de adrenalina foi boa mas agora já chega". Como é óbvio, estes medos não vêm do nada, e não são doenças apenas químicas, e é aí que entram as aprendizagens, experiências, etc. - coisas a que o cérebro da pessoa está habituado há anos, até mesmo décadas.

 

Isto foi apenas um exemplo para que se possa perceber que não é assim tão fácil acabar com estes problemas. E que são, de facto, problemas sérios, que podem levar a isolamento, a comportamentos auto-destrutivos, entre tantas outras coisas que não são bonitas para quem as vivencia e para quem acompanha a pessoa que as vivencia.

 

O impacto das doenças mentais pode ser gravíssimo e estas doenças são excruciantemente solitárias. A pessoa já sente que há algo de errado com ela por não ser capaz de agir como os outros perante determinadas situações, e a sociedade por si só ainda a ajuda a pensar desta forma ao não aceitar aquilo que ela tem como um problema e ao tratar a sua condição como se de uma constipação se tratasse. O sofrimento e a dor que estas pessoas acarretam é uma coisa tão grande e a sociedade só faz por isolá-las ainda mais, e por fazê-las sentir que são estranhas (para não dizer "maluquinhas da cabeça") ainda mais.

 

Acredito que as pessoas deviam ser acompanhadas por um psicólogo desde cedo, com ou sem problemas, para deixar de se praticar apenas a intervenção e passar a fazer-se também prevenção. Mas isto faz parte de uma sociedade ideal e utópica, e é algo que nunca vai acontecer. Há imensa coisa que podia ser evitada nos dias de hoje se as pessoas tivessem um acompanhamento psicológico adequado e se, para isso, a sociedade contribuísse com reconhecimento e valorização da doença mental. Eu, tal como a rapariga de quem falei no início, acredito que as pessoas vão cada vez mais ser acometidas por doenças mentais. O que resulta daí só depende de todos nós, e da nossa capacidade de abrirmos os horizontes, irmos além da realidade que conhecemos, e percebermos e interiorizarmos a realidade dos outros. A saúde mental é tão importante quanto a física. Só não vê quem não quer.

 

O que acham deste assunto? A saúde mental é um dos temas pelos quais sou mais apaixonada, por favor, partilhem comigo as vossas opiniões. Vamos conversar!

 

Imagem

Sobre mim


24 anos, estudante de Psicologia. Apaixonada por Lisboa e por gatos. Introspectiva por natureza e com muitos pensamentos para partilhar!

📖 A ler: The Night Circus (Erin Morgenstern) // The Bad Beginning (Lemony Snicket)

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D