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Life of a Wonderer

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Desligar do Instagram

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O Instagram é a minha rede social favorita, há qualquer coisa em podermos partilhar fotografias que carregam um pouco de nós, seja na sua forma ou no conteúdo, com filtro ou sem filtro, mesmo que a única coisa que a fotografia diga seja "parei a meio de um passeio para apreciar esta vista do mar". No entanto, mostra-nos um mundo irrealista, onde não existe um único problema no mundo e a vida de todas as pessoas é óptima, cheia de experiências fantásticas. No Instagram, a pressão para se parecer perfeito é ainda maior do que noutras redes sociais. Por um lado, não há nada de mal em mostrar apenas o "lado bom" da vida – não precisamos assim tanto de coisas que nos lembrem o que de pior há no mundo. Por outro, leva à tão falada comparação.

 

Ultimamente, e pela primeira vez, comecei a ser vítima desse fenómeno. Comecei a sentir-me miserável ao ver stories e fotos de pessoas a viverem experiências incríveis, ou mesmo a viverem pequenas coisas que, de momento, não posso viver. E no meio de toda essa espiral de sorrisos e bons momentos, comecei a sentir-me presa. Presa a uma sensação de não ter aquilo – e não me refiro a coisas materiais –, presa a uma sensação de estar numa fase menos boa da vida que não me permite certas coisas, presa a uma visão de que a minha vida, comparativamente à destas pessoas, não presta.

 

Não sou a pessoa mais optimista e positiva do mundo, mas fui aprendendo a largar muita da negatividade com que me rodeava há anos atrás e tento, sempre tanto quanto consigo, adoptar (pelo menos) uma visão mais realista das coisas. E dessa visão realista, tive a sensatez para perceber que, apesar das coisas más, existem coisas boas, e que na verdade esta rede social só estava a fazer-me desvalorizar todos os pontos positivos e a enfatizar os negativos. Sabia perfeitamente que, se não visse aqueles vídeos e fotos todos os dias, não iria sentir-me assim tão mal com a minha vida.

 

E por isso, muito facilmente, tomei a decisão de deixar de usar o Instagram por uns tempos. Fiz algo parecido no ano passado com o Facebook e foi não só uma experiência enriquecedora como permitiu olhar para a rede social de forma diferente, sendo que hoje em dia não tenho quaisquer problemas em usá-lo. Já deve estar para fazer um mês, e devo dizer que é libertador. É libertador vivermos uma experiência ou irmos a algum lugar sem o pensamento inconsciente e quase automático de a partilharmos. Torna tudo muito mais autêntico e, mesmo que queiramos tirar uma foto, sabemos que é para nós, e não para os outros. É reconfortante poder viver a minha vida um dia de cada vez, bom ou menos bom, sem ter que constantemente compará-la a outras vidas e perceber que há sempre melhor. A verdade é que esta fase, por si só, já é complicada, e não preciso de algo a agravá-la ainda mais.

 

As redes sociais são óptimas, mas sou adepta do "desligar", sobretudo quando o uso que fazemos delas não está a ser saudável e benéfico para nós. Mas até mesmo quando o é e não existem quaisquer problemas – acho que devemos sempre desligar das redes sociais por um bocadinho, estar mais em contacto com a realidade, com nós próprios, com as pessoas que nos rodeiam, e viver tudo de modo um pouco mais autêntico, sem que tenhamos sempre essa febre da partilha.

 

Por agora, posso dizer que não me sinto ainda minimamente preparada para voltar, mas não faz mal, porque é para isso que serve esta pausa. E, no final de contas, o objectivo não é voltar – o objectivo é sarar, sem qualquer tipo de entraves.

 

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Sobre mim


25 anos, mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde. Apaixonada por Lisboa e por gatos. Introspectiva por natureza e com muitos pensamentos para partilhar!

📖 A ler: The Night Circus (Erin Morgenstern) // Harry Potter and the Goblet of Fire (J.K. Rowling) // A New Earth: Awakening to Your Life's Purpose (Eckhart Tolle)

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