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Life of a Wonderer

Life of a Wonderer

26.Dez.18

O melhor de 2018

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2018 foi o ano mais difícil, complicado e doloroso da minha vida. Gostava de poder dizer que, à viragem de mais um ano, isso irá acabar, mas a verdade é que o sofrimento vai continuar. A pior parte é não saber por quanto tempo.

 

Não tinha intenções de publicar um post deste género mas, quando estava a ler um outro post, noutro blog, sobre os melhores momentos de 2018 e dei comigo a pensar "não tive nada de bom este ano", decidi que era um exercício que precisava de fazer. É verdade que este ano foi marcado por um mal muito grande, mas não pode ser verdade que algumas coisas boas não tenham acontecido ao longo do ano. E quando comecei a pensar nisso, comecei a lembrar-me delas.

 

2018 começou muito mal. Começou com uma notícia que me deixou sem chão, sem amparo, com a qual tenho vivido todos os dias até hoje. Mas, num ano tão "sem luz", algumas estrelinhas apareceram a brilhar pelo meio.

 

1. Oswin

Adotei o meu "primeiro" gato (tecnicamente é o segundo, mas tive o primeiro quando era ainda muito pequenina e não tenho memórias dele). Este foi o meu milagre de Páscoa, dado que até então parecia impossível convencer os meus pais a tal. O Oswin tem dois nomes (Jonas para quem não consegue dizer Oswin, que pelos vistos é mais gente do que pensava!), é um traquinas que gosta de receber mimos mas não os dá, fez um ano exactamente por esta altura e está um gatarrão de tamanho. Amo este bichinho com todo o meu ser, não importa o quanto me arranhe, me morda, o quanto ande atrás de mim para me atacar. Chegar de um dia cansativo de aulas para ter esta bola de pêlo em casa à minha espera é das melhores coisas da vida, e eu já não percebo bem como segui uma vida sem ele por tantos anos.

 

2. Terminei a licenciatura e comecei o mestrado.

A minha experiência em Psicologia tem estado a ser difícil pelos mais variados motivos, mas consegui terminar uma etapa e começar outra. Estou a adorar o mestrado, bem mais direccionado para aquilo que quero, embora simultaneamente bem mais exigente e trabalhoso. Mas quem corre por gosto não cansa, certo?

 

3. Fui a Cascais e passei umas férias de Verão "decentemente" como não passava há muito.

Já não sabia o que era passar uma semana inteira onde a única preocupação é chegar a "casa" e lavar a areia do corpo e o sal do cabelo (bom, e talvez atenuar os pequenos escaldões de quem subestima sempre a sua pele branquinha em sítios mais estratégicos). Já não sabia o que era passar tanto tempo na praia, a tomar banhos de sol, a refrescar-me na água do mar, a olhar para as ondas, a ouvi-las, a respirar a maresia e a sentir a brisa tocar levemente na pele. Para ajudar, fiquei encantada com Cascais, e estas férias albergam um conjunto de memórias felizes que abrem uma fenda de luz em 2018.

 

4. Fui a Salamanca!

Foi só um dia, e o passeio foi só de uma hora. E é talvez ainda mais triste dizer-vos que essa foi a primeira vez que saí de Portugal. Mas caramba, se não valeu por tudo. Ouvir outra língua que não o português, observar outra cultura que não a minha, considerar uma hora a mais no relógio. Olhar para edifícios lindos, com estilos de arquitectura fenomenais. Perceber os tesouros que tenho aqui tão perto de mim. Fui a Salamanca e voltei a casa com uma vontade enorme de regressar.

 

Estes foram os momentos que melhor marcaram o meu ano, mas os bons momentos também são marcados por coisas mais pequenas. Sinto que consegui finalmente rodear-me das pessoas certas na minha vida, não só as que estão lá sempre para nos apoiar, mas também as que nos fazem sentir livres para sermos quem somos, as que não julgam, que não só estão do nosso lado mas que nos dão a mão para seguirmos com elas.

 

Refiz o meu teste do Pottermore porque algo em mim me disse, com uma enorme convicção, que eu já não era a Hufflepuff que era há anos e anos atrás. E calhou exactamente aquela que estava à espera e aquela que senti mais que era o meu novo eu. Sou uma Ravenclaw orgulhosa, e para não dizerem que sou uma troca-tintas: fiquei quase um mês com uma crise de identidade parvinha até abraçar finalmente, com amor, a minha nova casa.

 

Nesta linha, descobri (e continuo a descobrir, pois com a universidade tem sido mais complicado) o mundo de Harry Potter para além dos filmes. Ando a ler os livros e estou cada vez mais fã. Até já comprei o meu primeiro livro de colecção (e adivinhem: também é de Ravenclaw). Recomendo tanto os livros, é incrível a quantidade de coisas que se perdem nos filmes. É uma experiência completamente diferente.

 

2018 foi também o ano em que comecei a ter menos medo de ser eu própria, embora muito inconscientemente e sem sequer tentá-lo. Acho que chegamos a uma altura em que as opiniões dos outros ganham uma importância muito secundária na nossa vida, embora tenha sempre alguma importância como seres sociais que somos. Torna-se mais importante sentirmo-nos nós próprios, tal e qual como somos. A prioridade começa a ser mostrar quem somos ao mundo, e não moldarmo-nos a quem possa não gostar numa tentativa de agradar a todos.

 

E foi um ano de descobertas. De Harry Potter, de que afinal gosto da Ariana Grande, de que estudo melhor com pelo menos uma vela aromática acesa, de que passou a valer a pena gastar dinheiro em velas aromáticas, de que afinal consigo trabalhar na biblioteca, desde que com música nos ouvidos a abafar tudo o resto, de que não quero seguir Neuropsicologia, de que já não tenho medo de andar a grandes velocidades em estradas nacionais ou auto-estradas. Acima de tudo, a descoberta de que a coisa mais importante que temos na nossa vida são as pessoas (e animais) à nossa volta. Se não for a única, é uma das poucas coisas insubstituíveis na vida. Devemos dar-lhes todo o valor que merecem, sem nunca tomarmos a sua presença como garantida.

 

Este post ficou uma "mistura" de coisas mas, se senti que devia fazer este exercício de reflectir sobre aquilo que o ano teve de bom, agora que estou a terminar, tenho a certeza que foi a melhor coisa que fiz. É importante relembrar e manter presente as boas memórias que coleccionámos ao longo do ano, mesmo quando tudo o resto parece ofuscá-las. Na verdade, sobretudo quando tudo o resto parece ofuscá-las.

 

Desejo-vos o melhor ano em 2019, cheio de coisinhas boas, na companhia daqueles que mais amam!

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